Leonese dialects in the Portuguese-Spanish border: a population genetic study through the analysis of X-chromosomal markers

Diretor: 
Maria João Prata e Luís Fernandez
Tipologia: 
Tese
Universidade: 
Universidade do Porto
Ano de finalização: 
2012
Páginas: 
70 + LXIV
Sinopse do conteúdo: 

[Resumen extraído de la fuente original]

A Península Ibérica, situada no Sudoeste da Europa, possui uma história recente complexa que a torna um tema de estudo interessante em termos de diversidade genética, bem como para pesquisas histórico-linguísticas. Alguns estudos recentes de SNPs autossómicos a grande escala mostraram que a estrutura genética da população europeia está intimamente relacionada com a sua geografia. Além disso, um estudo de marcadores do cromossoma X apontou para uma correlação de limites linguísticos em regiões europeias que exibem nítidas mudanças genéticas.

A instituição da fronteira entre Portugal e Espanha em 1267 criou uma nova barreira entre as populações, no entanto aldeias situadas em toda a região de fronteira detêm aspectos culturais e históricos compartilhados por ambos os países, como consequência de uma longa história em comum, da fácil migração de pessoas entre eles e, até recentemente, a actividade de contrabando tradicional. Um grande sinal desta troca recíproca entre os dois países é a sua história linguística. A continuidade de um antigo dialecto leonês nas regiões Norte e Ocidental da Península Ibérica tem sido relatado em ambos os países. Em Portugal, o idioma que foi preservado é conhecido como o Mirandês, que é considerado uma variante do dialecto leonês e representa uma isolado linguístico, apesar da sua pequena extensão. Na realidade, as pessoas de Miranda do Douro são muitas vezes bi ou trilingues, falando o Português - a principal língua em Portugal, o castelhano - a língua dominante do país vizinho, e o Mirandês.

A presença de características linguísticas comuns em Miranda e outras regiões espanholas vizinhas, como Zamora, tem atraído muita atenção. No entanto, muitas incertezas ainda persistem sobre a origem e manutenção deste isolado linguístico. Duas hipóteses principais foram colocadas para explicar a consolidação deste dialecto na região: uma admite uma origem indígena, enquanto a outra o considera resultado de diversas iniciativas de colonização realizadas pelo Reino de León. Apesar do grau de incerteza, a persistência do dialecto leonês na área pode ser o resultado do isolamento geográfico intrínseco a Miranda, particularmente no passado quando as vias de comunicação eram muito debilitadas, tornando difícil o acesso à região.

Neste estudo, a caracterização genética de populações de Miranda do Douro e Zamora foi realizada através da análise de X-STRs e X-indels, no âmbito de um projecto de populacional genético global, que também inclui a análise de diversidade do mtDNA e do cromossoma Y, visando a obter uma melhor compreensão da ligação entre os padrões de diversidade genética, geografia, e os dialectos leoneses falados em ambas as regiões.

Depois de analisar os dois tipos de marcadores do cromossoma X, tanto Miranda do Douro e Zamora partilham razoavelmente os padrões de diversidade normalmente encontrados em populações da Península Ibérica.

A análise do contexto microgeográfico evidencia a ligação entre Miranda e Zamora, apesar de uma subestrutura genética significativa não ter sido detectada.

A fronteira política parecia ser uma forte barreira impedindo o fluxo genético entre as populações de fronteira, chegando mesmo a isolar todas as áreas espanholas das portuguesas, como havia sido relatado anteriormente.

Tanto Miranda do Douro e Zamora se apresentaram altamente diversificadas para todos os marcadores do cromossoma X. Miranda tendeu a apresentar níveis de diversidade ligeiramente mais baixos, mas mesmo assim sinais importantes de deriva genética não foram observados no seu conjunto de genes, o que leva a presumir que o efeito de isolamento e o pequeno tamanho populacional provavelmente foram neutralizados por outros factores demográficos.

A ausência de heterogeneidade em Miranda comparativamente a diversidade a nível do cromossoma X que caracteriza a população portuguesa em geral leva a que Miranda não necessite de ser considerada diferenciadamente no campo da genética forense.

No geral, nossos resultados só forneceram fracas indicações sobre as relações entre Miranda e as regiões vizinhas de Zamora. Provavelmente porque as respostas para as questões abordadas neste estudo dependem de características subtis que diferenciam os perfis genéticos das populações podendo assim escapar à resolução fornecida pela análise deste marcadores do cromossoma X.

Notas: 

Dissertação de Mestrado em Biodiversidade, Genética e Evolução.

Língua: 
Última modificação: 
02/08/2019 - 14:25