Mértola e o Guadiana. Uma charneira entre o mar e a terra

Tipología: 
Capítulo de libro
Título del libro: 
Entre Rios e Mares: um Património de Ambientes, História e Saberes
Editores del libro: 
Fonseca, Luís Cancela da; Garcia, Ana Catarina; Pereira, Silvia Dias; Rodrigues, Antonieta C.
Localidad: 
Rio de Janeiro
Editorial: 
Universidade Estadual do Rio de Janeiro
Año: 
2016
Páginas: 
181-192
ISBN: 
978-85-5676-008-1
Sinopsis de contenido: 

[Resumo proveniente da fonte]

O rio Guadiana foi, sem dúvida, o factor determinante do assentamento de Mértola no local que sempre ocupou, desde a pré-história até aos nossos dias, pelas excepcionais condições estratégicas defensivas e de navegação fluvial que lhe proporcionava. A confluência do Guadiana e da ribeira de Oeiras transforma  Mértola numa quase ilha, e confere-lhe uma excelente posição defensiva que foi sabiamente complementada por uma sólida fortificação, cuidadosamente respeitada e conservada ao longo de séculos. A partir do rio, a cidade, escalando um cerro abrupto, parece inexpugnável. O fluxo das marés facilita a navegação até Mértola a embarcações de pequeno e médio porte. Porém, a travessia não era fácil; estava pautada por escolhos que apenas o saber das gentes do rio permitia vencer, na preamar. Uns quilómetros a montante, a cascata do Pulo do Lobo impede a continuação da viagem. Sendo Mértola o término da navegação fluvial do Guadiana, era inevitável que desempenhasse funções eminentemente comerciais e de articulação do tráfico regional de pessoas e bens. O ordenamento do trânsito fluvial foi, sempre, uma preocupação fulcral dos poderes políticos. Tradicionalmente, a Torre do Rio, construída na Antiguidade Tardia para defender e controlar o porto e o acesso entre este e o interior da cidade, era o limite entre o que era considerado foral do “mar” e o que era considerado foral do “rio”. A Porta da Ribeira e a ponte-barca, que cruzava o rio até à construção da ponte actual em 1961, foram um instrumento de controlo de pessoas e bens e de cobrança de portagens. Mértola, como ponto de ligação entre as rotas terrestres e marítimo-fluviais, foi palco de trocas comerciais desde tempos remotos. Os produtos desse comércio eram variadíssimos, desde alimentos de primeira necessidade até manufacturas de luxo. Neste artigo vamos apresentar a importância que o rio adquiriu ao longo dos séculos na evolução histórica da vila considerando as diferentes civilizações e culturas que a partir dele chegaram dos diferentes territórios do Mediterrâneo. Palavras Chave – Mértola, Navegação fluvial; Rotas comerciais; Mar Mediterrâneo.

The river was undoubtedly a determining factor in the choice of founding Mértola in the place that it has always occupied from prehistoric times to the present day. This was due to the exceptional conditions for strategic defense and the possibility of river navigation. The meeting point of the rivers Guadiana and Oeiras transforms Mértola into almost an island and gives it an excellent defense position that was wisely complemented by a solid fortification, carefully respected and preserved throughout the centuries. The city appears unconquerable from the river, scaling the abrupt hillside. The tide allows river navigation for small-and med-sized vessels to go as far as Mértola. However, the crossing was not easy; there were outcrops of rocks at various intervals along the way and it was only due to the high tides and people’s knowledge of the river that kept them safe. The Pulo do Lobo waterfall, a few kilometers upstream, prevents further travel. As Mértola was the terminal point of river navigation on the Guadiana, it was inevitable that it took on eminently commercial functions and regional traffic control of both people and goods - the ordering of river traffic always being a central concern for political powers. The River Tower, constructed in the Late Antiquity to defend and control the port and access between this and the inner city, was traditionally the “legal” limit between the “sea” and the “river”. The River Gate and the ferry, which used to cross the river until the present-day bridge was built in 1961, were ways of both controlling people and goods and of collecting tolls. Mértola was the theatre of commercial trade since time immemorial, being the point that linked the maritime – river routes with the overland routes. There was an enormous variety of products traded here, from basic food supplies to luxury goods. In the present paper we will characterize the importance the river acquired through the times in the village´s historic evolution, considering the different civilizations and cultures that arrived from other Mediterranean regions. Keywords – Mértola, river navigation; commercial trade; Mediterranean Sea.

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Última modificación: 
23/02/2020 - 20:00