Do Mirandês ao Madeirense: A Génese das Escritas Fonéticas

Autores

Rebelo, Helena (Autor)
Tipología: 
Actas de congreso
Título del volumen: 
Ecolinguismo e línguas minoritárias: colóquio internacional sobre ecolinguismo e línguas minoritárias: uma homenagem a Amadeu Ferreira
Editores del volumen: 
Gómez Bautista, Alberto; Moutinho, Lurdes de Castro; Coimbra, Rosa Lídia (coords.)
Localidad: 
Aveiro
Editorial: 
UA Editora - Universidade de Aveiro
Año: 
2017
Páginas: 
59-95
ISBN: 
978-972-789-496-3
Sinopsis de contenido: 

[Resumen extraído de la fuente original]

Em princípio, uma língua comporta uma vertente oral que pode ganhar uma dimensão escrita, tendo, por definição, duas faces. Mesmo se não a adquire, esta última tem uma existência potencial que pode surgir em qualquer altura evolutiva da componente oral. Se nunca se tornar visível pela escrita, assim que as populações deixarem de falar a sua língua, ela desaparecerá sem deixar rastro. Isso não aconteceu ao Latim porque, enquanto língua morta, se encontra vivificada nos textos escritos que a imortalizam. Veja-se o caso da Língua Portuguesa que completou, em 2014, 800 anos de história, contabilizados a partir do Testamento de D. Afonso II, datado, portanto, de 1214. Todavia, antes de ter este cariz escrito, sobejamente manifestado na Poesia Trovadoresca, com uma raiz Galaico-Portuguesa, era falada pela população, que não usava a Língua Latina Clássica e não sabia escrever. Quem dominava esta arte de gravar a fala fazia-o com flutuações evidenciadas no que se veio a designar como “polimorfismo”. Logo, facilmente se verifica que falar vem antes de escrever: é também assim com a aprendizagem linguística de cada “falante”, ou seja, aquele que fala porque usa a língua, mas também pode saber escrever, desde a infância. É o que sucede com as línguas naturais, as que são faladas, antes de terem escrita. Esta bifacialidade dinâmica das línguas é idêntica para as variedades linguísticas. Aconteceu com a população das terras do Planalto Mirandês, por se ter habituado a falar, desde, segundo consta, a Idade Média, de um modo muito específico e bastante diverso do de outras populações portuguesas. Foi a proximidade com o Reino de Leão que acentuou esta singularidade linguística, tendo de esperar pelo final do século XX para ser reconhecida, legalmente, como a segunda língua oficial de Portugal. Ganhou, então, um pendor escrito que não tinha quando se formou. Observar a génese da escrita, marcadamente fonética, do Mirandês, para quem se acostumou a olhar para a variedade madeirense, ouvindo-a diariamente, é motivo de reflexão. Poderá a variedade regional referida ganhar uma escrita como aconteceu com o Mirandês e sucede com todas as línguas ou variedades que levam séculos a adquirir uma vertente ortográfica? Até que ponto terão semelhanças, a nível gráfico, as duas manifestações linguísticas regionais tão afastadas uma da outra? Não será a “escrita fonética” uma delas? Ao procurarem dar uma escrita ao modo de falar das populações, podem os escritores destas regiões trazer informação pertinente para compreender a origem da escrita das duas manifestações linguísticas regionais portuguesas? A Literatura constitui uma mais-valia para os estudos das línguas, incluindo a questão da escrita de línguas que possuem apenas vertente oral, adquirindo, posteriormente, escrita. Propõe-se, aqui, compreender a génese das escritas fonéticas, partindo da comparação de algumas particularidades de ambas as realidades linguísticas, insistindo, porém, mais detalhamente no léxico da variedade regional madeirense, através da análise de uma recolha decorrida em 1999 com mais de uma centena e meia de vocábulos considerados regionalismos por inquiridos madeirenses. Palavras-chave: Mirandês, Madeirense, Língua, Variedade, bifacialidade linguística, Escrita fonética.

Normally, a language includes an oral component that can make a written dimension, and, by definition, it has two faces. Even if not acquired, this one has a potential existence that can arise at any time of the oral component. If not become visible in writing and none no longer speak the language, it will disappear without a trace. It did not happen to Latin because, while dead language, is reunited in written texts that immortalize it. Take the case of the Portuguese language which, in 2014, has completed 800 years of history, counted from the Testament of Afonso II, dated, therefore, by 1214. However, before having written, its oral face, amply manifested in Poetry troubadour, with a Galician-Portuguese roots, was spoken by the people who did not use the Classical Latin language and could not write. Who mastered this art of recording the speech made it with fluctuations evidenced in what came to be known as "polymorphism". How easily can be seen, talk comes before writing: it is also so in the beginning of the language learning for each “speaker” (one who speaks the language because it uses, but can also know how to write it), since childhood. It is this way with the natural languages that are spoken, before they have written. This dynamic two faces of languages is identical for the language varieties. This happened to the people of Miranda do Douro region who have used to speak, since, as noted, the Middle Ages, in a very specific way and quite different from other Portuguese populations. The proximity to the Kingdom of León contributed to accentuate this linguistic uniqueness, which had to wait for the twentieth century to be recognized legally as the second official language of Portugal. This language won to be written, an inexistent possibility at the beginning. To observe this written genesis, markedly phonetics, for those who got used to look at the Madeiran variety, listening it day after day, it is cause for reflection. May the regional variety have a written as the regional language of Miranda do Douro? These two regional languages demonstrations so far apart can have similarities, at the graphic level? It is possible the “phonetics written” be one of them? In the way to give a written of the population speaking, can the writers of these regions bring relevant information to understand the two Portuguese regional linguistic manifestations? The Literature seems to be important for the language studies, including for the question of writing a language whom as only an oral face, but asking for a writing. It is proposed here to understand the genesis of phonetic writing, based on the comparison of some particularities of the writings of both regional linguistics realities, insisting, however, more in the lexicon of regional Madeiran variety. For that, it will be analysed a list collected in 1999 with more than one hundred and half words classified as regional by the native speakers inquired at Madeira. Keywords: “Mirandês”, Madeiran, Language, variety, linguistic two faces, phonetic writing.

Notas: 

Colóquio Internacional sobre Ecolinguismo e Línguas Minoritárias. Uma homenagem a Amadeu Ferreira (15 e 16 de junho de 2016 - Centro de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade de Aveiro / 17 e 18 de junho de 2016 - II Jornadas de Língua e Cultura Mirandesas, Miranda do Douro).

Lengua: 
Área geográfica: 
Última modificación: 
02/08/2019 - 14:23